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GRAMTICA 
NORMATIVA 
DA LNGUA 
PORTUGUESA 
"No morrer sem poetas nem soldados A lngua em que cantaste rudemnente As armas e os bares assinalados. 
MANUEL BANDEIRA 
(em Estrela da vida inteira) 
CAMES 
Introduo 
dos voc subsidi 
Por is da lingu a escrita mutiladti bilidade expressil 
LNGUA GEM 
A LN 
* laes, 
Em sentido amplo, pode-se entender por linguagem qualquer pro- da lii? 
cesso de comnunicao. g 
Fato 
cabular 
a) A mmica, usada pelos surdos-mudos e pelos estrangeiros que memiro 
no sabem a lngua de um pas. Do e 
h) O semforo, sistema de sinais com que se do avisos aos miavios pos forc 
e avies que se aproximam das costas ou dos aeroportos. sagrego 
c) A transmisso de mensagens por meio de bandeiras ou espelhos conserv 
ao sol, empregado por marujas, escoteiros, etc. Ao a 
ou igno 
Para a lingustica, porm, s apresenta interesse aquele tipo de lin- com o s 
guagemn que se exterioriza pela palavra humana, fruto de unia ativi- das imc 
dade mental superior e criadora. travago 
H dois tipos de expresso lingstica. a falada e a escrita. desatav 
Na comunicao escrita, os sons da fala (que, em essncia, cons- A co 
tituemn a linguagem dos homens.) passam a ser apenas evocados men- ele feit 
talmente por meio de smbolos grflcos, a rigor, ela no se apresenta em sen 
seno como um imnpeifeito sucedneo da fala. Esta  que abrange a pelho 
revelao do eu em sua totalidade, pressupondo, alm da significao Sem 
a lngu 
a varie 
* Acerca da amplitude e complexidade dos problemas de linguagem em geral e sua n 
os do nosso idioma nacional em particular, cf. Antnio Houaiss, Lfnguas e a lngua 
portuguesa", na Revista do Brasil, ano 5, n? 12/90. Prefeitura da cidade do Rio de 
Janeiro / Rio Arte / Fundao Rio, pp. 14-41. 
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dos vocbulos e das frases, o timbre da voz, a entoao, os elementos subsidirios do gesto e do jogo fisionmico. 
Por isso, para bem se compreender a natureza e o funcionamento da linguagem,  preciso partir da fala para se examinar em seguida a escrita, a qual se entender, 
assim, como uma espcie de linguagem mutilada, cuja eficcia estar na dependncia da maior ou menor habilidade com que conseguirmos obviar  falta inevitvel dos 
elementos expressivos auxiliares. 
LNGUA E ESTILO 
A LNGUA  um sistema: um conjunto organizado e opositivo de relaes, adotado por determinada sociedade para permitir o exerccio 
da linguagem entre os homens. 
Fato social por excelncia,  aquele acervo de sons, estruturas vocabulares e processos sintticos que a sociedade pe  disposio dos 
membros de uma comunidade ling(stica. 
Do equilbrio de duas tendncias resulta sua estabilidade pelos tempos fora: de um lado, a diferenciao, fora natural, espontnea, desagregadora; de outro, a unificao, 
fora coercitiva, disciplinante, conservadora. 
Ao assenhorear-se dos recursos da lngua, cada indivduo, culto ou ignorante, a executa  sua maneira, de acordo com a sua feio, com o seu temperamento. um  aparatoso, 
verbalista, ama a riqueza das imagens, a veemncia das antteses, a audcia dos adjetivos ex- trava gantes; outro  sbrio, cheio de delicadeza e pudor, prefere 
o desataviado da expresso direta, a singeleza de um vocabulrio comum. 
A contribuio pessoal do indivduo, manifestada na seleo, por ele feita, dos recursos que a lngua subministra,  o que se chama, em sentido lato - ESTILO, que 
Sneca j havia definido como "o espelho da alma". 
Sem embargo de se prestar  florao de mil estilos individuais, 
a lngua no se desfigura: seu sistema permanece uno e ntegro. E 
a variedade na unidade - a preservao histrica do seu gnio, da 
sua ndole,  qual se ho de adaptar todas as particulariza es. 
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LNGUA -COMUM 
E SUAS DIFERENCIAES 
A este instrumento de comunicao geral, aceito por todos os componentes de uma coletividade para assegurar a compreenso da fala, denomina-se LNGUA-COMUM, ou coin. 
Mas, dentro da ampla coeso da lngua, cabem vrios aspectos, que se influem mutuamente, determinadas no s pela situao cultural, ou psicolgica, dos que usam 
dela, seno tambm pela ao de fatores geogrficos, ou sociais. 
DIALETO E LNGUA ESPECIAL 
Os aspectos regionais de uma lngua, que apresentam entre si coincidncia de traos lingusticos fundamentais, constituem os DIALETOS. 
Paralelamente a eles, sublinhem-se os aspectos grupais, nascidos por imposio da solidariedade que congrega os indivduos da mesma esfera social, enlaados por 
interesses comuns, ou pelas exigncias da mesma profisso; eis as LNGUAS ESPECIAIS. 
Aqui,  necessrio distinguir trs modalidades: calo, gria e lngua profissional. 
CALO, GRIA 
E LIVGUA PROFISSIONAL 
CALO  a lngua especial das classes que vivem  margem da sociedade, de carter acentuadamente esotrico, artificialmente fubricada' - diz Dauzat - para se poderem 
compreender entre si os indivduos de certo grupo, sem serem entendidos pelos no-iniciados. 
Inspirada na dissimulao dos malfeitores, cria um conjunto de comivenes que a estremam da lngua-comum a que pertence, posto que nesta se desenvolva e emaranhe. 
Esto neste caso o argot dos franceses, a germana dos espanhis; 
o furbesco dos italianos; o cant dos ingleses; o slang dos americanos, 
o Rotwelsch dos alemes; o dieventael dos holandeses; o afinskoe dos 
russos, etc. 
Para o lingist portugueses e bra ciais, por exprimJ a palavra adquiri1 sos, pouco limpo 
GRL4  a lngu socialmente orgam mtica deficiente. 
A gria atinge a criao de palavm s existentes. Frei sinua na linguag 
As grias dos , LNGUAS PROFISSI( 
guagem mais oum filsofos, os dipk 
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codificar o 'uso i 
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ideal da express "Son formas c 
los grupos ms c prestigio social d 
Fundamentam-. 
grandes escritore, seu ideal de perfe mtico estabilizoi 
* Amado Alonso e Buenos Aires, Losad 
** Distingue-se, a mina a lfngua como lizao imediata como interdependentes, por 
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Para o lingUista, pois, calo  a lngua especial dos delinqentes portugueses e brasileiros. Como a fala dos mais baixas camadas sociais, por exprimir a vida desses 
grupos,  naturalmente disfmica, a palavra adquiriu a acepo vulgar de uso de termos chulos, gravosos, pouco limpos. 
GRIA  a lngua especial de uma profisso ou oficio, de um grupo 
socialmente organizado, quando implica, por sua vez, educao idiomntica deficiente. 
A gria atinge a fraseologia e, especialmente, o vocabulrio, j pela criao de palavras, j por se atriburem novos valores semnticos s existentes. Freqentemente, 
a servio da expressividade, ela se iiisinua na linguagem familiar de todos as camadas sociais. 
As grias dos grupos sociais de cultura elevado do-se o nome de LNGUAS PROFISSIONAIS ou TCNICAS. Em diferentes graus, tm sua liiiguagem mais ou menos especializada 
os mdicos, os engenheiros, os filsofos, os diplomatas, os economistas, etc. 
GRAMTICA NORMATIVA: 
SEU CONCEITO E DIVISES 
 uma disciplina, didotica por excelncia, que tem por finalidade codificar o 'uso idiomndtico', dele induzindo, por classificao e sistematizao, as normas que, 
em determinada poca, representam o ideal da expresso correta. 
"Son formnas correctas de decir aquellas aceptadas y usadas por 
los grupos ms cultos de la sociedad. Correccin quiere decir aqu( 
prestigio social de cultura. " 
Fundamentam-se as regras da gramtica normativa** mias obras dos grandes escritores, em cuja linguagem as classes ilustradas pem o seu ideal de peifeio, porque 
nela  que se espelha o que o uso idiomt tico estabilizou e consa grou. 
* Amado Alonso e Pedro Henrquez Urefia, Gramtica casteilana, 4a cd., 2 vois., Buenos Aires, Losada, 1943, vol. 1, p. 16. 
** Distingue-se, assim, a gramtica normativa da gramtica descritiva, que examina a lfngua como sistema de meios de expresso', sem levar em conta a sua utilizao 
imediata como cdigo de bem falar e escrever. E claro que se trata de disciplinas interdependentes, porm de finalidades distintas. 
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Refiro-me, decerto, queles escritores de linguagem corrente, estilizada dentro dos padres da norma culta. Excetuam-se, pois, os regionalistas acentuadamente tpicos, 
assim como os experimentalistas de todos os matizes -, por admirveis que possam ser uns e outros. Estes ltimos apreciam-se no mbito da esttica literria, mas 
nO se prestam a abonar fatos da lngua-comum. 
Quanto a Ortografia, est fixada pelo Pequeno vocabulrio ortogrfico da lngua portuguesa, publicado, em 1943, pela Academia Brasileira de Letras, com as alteraes 
que lhe introduziu, no captulo da acentuao grfica, a lei n. 5.765, de 20-12-1971. Em 1981, a Academia Brasileira de Letras publicou a 2 edio dessa obra, com 
o ttulo de Vocabulrio ortogrfico da lngua portuguesa, no qual se amplia consideravelmente o universo vocabular do idioma e se retificam lapsos da obra anterior, 
j alis, apontados, na maioria, pelo acadmico Aurlio Buarque de Holanda Ferreira. 
Compreende a gramtica trs partes: fontica e fonologia; morfologia; e sintaxe. 
FONTiCA e FONOLOGIA: estudo dos fonemas e sua combinao, e 
dos caracteres prosdicos da fala, como o acento e a entoao. 
MORFOLOGIA: estudo das formas, sua estrutura e classificao. 
SINTAXE: estudo da construo da frase. 
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